a million parachutes

for us

02 fevereiro 2004



ana,

a vida ordinária não tem sido boa conosco. vamos conjugando o verbo como pede a cartilha; temos a segurança dos investimentos da poupança e previdência e de quando em quando ouvimos os pássaros em seu elegante vôo ao nosso desconhecido.

mas essa falta de uma vida menos ordinária me inibe um pouco quando penso em lhe escrever. se faço agora é com a licença da naus dos ousados embora pareça só bebedeira. confesso a estupida dificuldade que é lhe escrever um texto que toque seu espirito livre, de fronteiras e geografias plausíveis como a alma. vai querer ir para alguma lua, sei bem.

o dueto das flores que me mandou continua fresco em meus ouvidos e já preparo com cuidado e delicadeza uma coletânea para lhe enviar junto com o livro da clarice e outros agrados. assim vou fazendo das horas minucias cheias de significados e corações refeitos. assim vou trilhando o meu caminho para te encontrar em alguma lua por aí.